Durante
o encontro, que se desenrolou de forma dialogada, foram
apresentadas ao Papa dez perguntas centradas na formação
de uma consciência moral sobretudo nos jovens, o ministério
sacerdotal e a reorganização da vida pastoral,
também à luz da falta de sacerdotes, a evangelização
em terras de emigração, como a região
italiana do Veneto, e o necessário diálogo
com populações de diferentes credos religiosos,
como levar Deus à sociedade, a pastoral dos divorciados
e dos que se casaram de novo, e finalmente a atuação
do Concílio.
Ao sair
do encontro, respondendo aos jornalistas, o próprio
Santo Padre explicou que durante o diálogo "falamos
da Igreja, de Deus, da humanidade de hoje".
"A
Igreja somos nós mesmos e neste caminho todos temos
de colaborar", reconheceu.
Dado
que o encontro estava reservado aos sacerdotes, os jornalistas
não puderam escutar as respostas. Os conteúdos
foram difundidos através de um resumo feito pelo
Padre Federico Lombardi, S.J., diretor da Sala de Informação
da Santa Sé. As perguntas dos sacerdotes ofereceram
ao Papa a possibilidade de falar sobre questões como
a evangelização e o diálogo respeitoso
com as demais religiões, em um contexto de forte
imigração.
O pontífice
respondeu também à questão "sempre
delicada que afeta muitas pessoas", explica o Pe. Lombardi,
"dos divorciados que voltam a se casar". Em particular,
explicou "como conciliar misericórdia e verdade".
Outros
temas do diálogo foram a fidelidade ao Concílio
Vaticano II e a seu espírito, o desafio da formação
dos jovens e de sua consciência moral, os problemas
da vida sacerdotal, as prioridades de seu ministério
na situação atual.
"A
essência do cristianismo não pode ser considerada
simplesmente como um conjunto de dogmas", acrescentou
o Papa, segundo referiu o Padre Lombardi. A melhor maneira
de testemunhar Deus aos homens consiste em anunciá-lo
na vida de todos os dias, "com amor, fé e esperança".
A religião
católica deve ser vivida "com os pés
na terra e os olhos dirigidos ao céu", recordou.
Portanto, uma boa pastoral "ajuda a ver a beleza de
todos os dons", declarou, suscitando um aplauso entre
os sacerdotes.
Os católicos,
afirmou, devem ser homens que receberam e reconheceram que
a luz de Deus dá sentido e esplendor ao mundo inteiro.
E, portanto, dá sentido à vida.
"Entre
os sacerdotes presentes, não se perdia nenhuma palavra
de seus lábios", referiu o porta-voz vaticano.
Na saída do encontro, o Papa confessou que este período
"belíssimo" de férias na terra dos
Montes Dolomitas foi de descanso "não só
para o coração, mas também para a alma".
"Não
só respirei este ar, dom do Criador, mas também
este ar de amizade e de cordialidade pelo qual me sinto
profundamente agradecido", reconheceu.
Após
a visita a Auronzo, o Papa regressou à casa de Lorenzago
di Cadore, onde continua suas férias até sexta-feira,
27. O Santo Padre tem aproveitado suas férias alternando
momentos de estudo e de oração.
Nesta
sexta-feira, Bento XVI retorna a Roma, e em seguida transfere-se
para Castel Gandolfo, residência pontifícia
de Verão.